Parque Natural Obô de São Tomé (PNOST)

O Parque Natural Obô de São Tomé (PNOST), criado pela Lei n.º 6/2006, é reconhecido internacionalmente pela sua relevância global para a conservação da biodiversidade, incorporando a maioria das restantes florestas nativas da ilha de São Tomé. Os limites do parque estão bem definidos na respetiva lei e, desde que foi estabelecido, o PNOST já teve três Planos de Maneio (PM; períodos 2009-2014, 2015-2020 e 2021-2025).
Zonas de Gestão do Parque
Na área central do PNOST, são definidas cinco áreas de macrogestão, considerando a sua descontinuidade territorial ( plano de maneio PNOST 2021-2023).
Zonas de proteção integral:
  • Maciço central –Zona de proteção integral I
  • Maciço central –Zona de proteção integral II
Zonas de exploração controlada:
  • Maciço central – Zona de proteção parcial,
  • Savana da Praia das Conchas e Lagoa Azul,
  • Mangal de Malanza.
Além dessas também foram também identificadas oito (8) áreas de microgestão : (1) mangais da Praia das Conchas e Praia Quinze, (2) Bom Sucesso e caminho do fugido, (3) Aproveitamento Hidroelétrico do Contador, (4) micro ecossistema de Lagoa Amélia, (5) hotspot da Roça Monte Carmo; (6) baía de São Miguel; (7) mangal de Malanza (zona húmida), (8) zona do Pico de São Tomé e Pico Pequeno.

História de gestão, delimitações e governação

A Lei de Base do Ambiente (Lei n°10/1999) e a Lei de Conservação da Fauna, Flora e Áreas Protegidas (Lei n°11/1999) abriram o caminho para a designação de áreas protegidas terrestres e marinhas, reconhecendo o património natural único de STP, a sua riqueza e o valor intrínseco do endemismo. Este desiderato foi concretizado em 2006, com a institucionalização de áreas protegidas terrestres, através da criação do Parque Natural Obô de São Tomé (PNOST, Lei n°6/2006) e do Parque Natural do Príncipe (PNP, Lei n.º7/2006), respondendo à necessidade nacionalmente reconhecida de criação de um Sistema Nacional de Áreas Protegidas.
O nome "Obô" utilizado na designação "Parque Natural Obô de São Tomé" significa "floresta virgem" em forro, o dialeto principal originário da ilha de São Tomé, e aplica-se a toda a área de floresta protegida e/ou nativa. É um termo amplamente utilizado em toda a ilha, já bem associado à área do Parque, assegurando desta forma uma boa apropriação do seu património natural pela população local.

Limites do PNOST

O PNOST está dividido em três zonas geográficas distintas, protegendo o maciço central de São Tomé, composto por florestas nativas e antigas florestas secundárias, as savanas e mangais do Norte, e o maior mangal e praia de desova de tartarugas do Sul, cobrindo um total de 25,274 ha . O maciço central do PNOST é uma das partes mais bem preservadas da ilha devido ao seu relevo acidentado e o clima húmido, que torna difícil o acesso e o cultivo por parte das pessoas. As zonas Norte e Sul do PNOST estão muito mais invadidas por assentamentos e atividades humanas e encontram-se em risco de degradação rápida. Para além das três principais secções do PNOST, a lei prevê uma zona de transição, circundante ao PNOST, denominada de "zona tampão" que se estende para além dos limites do Parque, "numa faixa cuja largura pode variar entre 250m e 10km" (Lei n°6/2006, Artigo 5, no 2), na qual só são permitidas atividades específicas de baixo impacto. As secções Norte e Sul do PNOST (ou seja, Savana do Norte e o Mangal de Malanza) são geralmente 
O PNOST está dividido em três zonas geográficas distintas, protegendo o maciço central de São Tomé, composto por florestas nativas e antigas florestas secundárias, as savanas e mangais do Norte, e o maior mangal e praia de desova de tartarugas do Sul, cobrindo um total de 25,274 ha . O maciço central do PNOST é uma das partes mais bem preservadas da ilha devido ao seu relevo acidentado e o clima húmido, que torna difícil o acesso e o cultivo por parte das pessoas. As zonas Norte e Sul do PNOST estão muito mais invadidas por assentamentos e atividades humanas e encontram-se em risco de degradação rápida. Para além das três principais secções do PNOST, a lei prevê uma zona de transição, circundante ao PNOST, denominada de "zona tampão" que se estende para além dos limites do Parque, "numa faixa cuja largura pode variar entre 250m e 10km" (Lei n°6/2006, Artigo 5, no 2), na qual só são permitidas atividades específicas de baixo impacto. As secções Norte e Sul do PNOST (ou seja, Savana do Norte e o Mangal de Malanza) são geralmente consideradas como não tendo zonas tampão.

Caraterização dos fatores abióticos e bióticos

  • Fatores abióticos

    Os Fatores abióticos são os componentes não vivos de um ecossistema. Eles incluem fatores físicos, químicos e geológicos, como temperatura, luz solar, umidade, pH do solo, composição química da água e topografia. Esses fatores abióticos podem ter impacto direto sobre os organismos vivos. Por exemplo, a disponibilidade de luz solar afeta a fotossíntese das plantas, a temperatura influencia o metabolismo dos animais e a umidade afeta a distribuição das espécies.

    Clima

    São Tomé tem um clima tropical húmido com duas estações principais, a estação chuvosa (setembro a maio) que é mais quente e com maior precipitação, no qual a temperatura do mar pode atingir cerca de 28ºC, e a estação "Gravana" (junho a agosto), caracteristicamente mais fria e seca, onde a temperatura do mar baixa para cerca de 24ºC.
    STP é considerado muito vulnerável às alterações climáticas, com baixa capacidade de absorção e adaptação às perturbações dos ecossistemas. Embora com alguma incerteza na direção de alguns impactos climáticos entre diferentes cenários considerados (Ferreira et al. 2021), tem-se registado um declínio da precipitação média, o aumento da temperatura média e uma estação seca mais longa desde a década de 1950 (Arias et al. 2019). Por exemplo, a erosão costeira assim como inundações (de rios ou oceano) têm também afetado várias comunidades no país, e os efeitos negativos sobre a biodiversidade são também prováveis
    Além disso, existe uma multiplicidade de microclimas em toda a ilha, definidos principalmente pela precipitação, temperatura (variando de acordo com a altitude) e localização. A temperatura média anual é de 26ºC, com precipitação média anual entre 2 000 e 3 000mm. Nas florestas de nevoeiro do centro da ilha localizadas no maciço central do PNOST, as precipitações podem atingir até 7.000mm por ano, enquanto na secção de savana do norte do PNOST, é inferior a 1 000mm.

    Geologia

    Situado no Golfo de Guiné, São Tomé está localizado na secção oceânica da linha vulcânica dos Camarões, que se estende por 1 600 km desde o interior do continente africano até à ilha de Pagalu (Ano-Bom). São Tomé tem origem vulcânica, e a sua geologia é caracterizada por rochas vulcânicas de quatro unidades estratigráficas principais:

    1. A formação vulcânica do 'Ilhéu das Cabras' é a mais antiga (13 M.A.A - Milhões de Anos Atrás);
    2. O complexo vulcânico de Mizambú ;
    3. O complexo vulcânico de Ribeira Afonso incluindo vulcões no SE da ilha, e potenciais zonas costeiras/submarinas;
    4. O complexo vulcânico de São Tomé - forma a metade norte e o extremo sul da ilha. Sequências de água do mar submarina aparecem nas costas N e NO.

    O relevo da ilha é acidentado nas áreas Noroeste  e Sudoeste, até à costa e o maciço central do PNOST cobre uma das áreas mais acidentadas da ilha. Nordeste NE e Sudeste, os relevos são mais suaves com grandes povoações ligeiramente inclinadas para o litoral, nos contornos entre 300-400 metros de altitude.

    Hidrologia

    O potencial hídrico da ilha é elevado, devido ao seu clima húmido e relevo acidentado. A quantidade de água disponível por habitante é elevada, embora não seja devidamente utilizada. A rede hidrográfica apresenta-se em forma de estrela, e os nove maiores rios nascem no interior do maciço central do PNOST, em torno dos relevos mais elevados e correm em direção aos vales profundos e ao mar (PNOT 2020, Figura a baixo). A maioria dos rios têm um caudal volumoso abastecido pela chuva durante quase todo o ano. São utilizados para consumo, irrigação, lavagem de roupa e higiene em geral.

  • Fatores bióticos
São Tomé, 26 de Julho de 2023