Parque Natural Obô do Príncipe- PNP

Parque Natural Obô do Príncipe-  PNP

O Parque Natural Obô do Príncipe foi criado pela Lei n.º 7/2006, de 13 de junho, decorrente da necessidade de identificar, delimitar e gerir os territórios fundamentais vocacionados para a conservação dos habitats da fauna e flora selvagens e da diversidade biológica que caracteriza o património nacional santomense, que é também um relevante património da humanidade. É reconhecido internacionalmente pela sua relevância global para a conservação da biodiversidade, incorporando toda a floresta nativa restante e ocupando 45% da área da ilha

Os limites do parque estão bem definidos na respetiva lei (com exceção da zona tampão, cuja interpretação permaneceu arbitrária) e, desde que foi estabelecido, o PNP já teve dois Planos de Manejos (PM; períodos 2009-2014 e 2015-2020).

Objectivos

A criação do Parque tem os seguintes objectivos : a) A preservação, conservação e defesa dos ecossistemas florestais do Príncipe; b) A salvaguarda das espécies animais, vegetais e dos habitats ameaçados; c) A conservação e recuperação dos habitats da fauna migratória; d) A promoção do uso ordenado do território e dos seus recursos naturais de forma a garantir a continuidade dos processos evolutivos; e) A promoção de estudos sobre as dinâmicas da floresta na perspectiva da utilização durável dos recursos; f) A elaboração de estudos para a avaliação do impacto da actividade humana, dos agentes económicos nacionais e estrangeiros sobre a floresta e os ecossistemas envolventes; g) O estabelecimento de um sistema de monitorização das actividades de exploração da floresta; h) A defesa e promoção das actividades e formas de vida tradicionais das populações residentes não lesivas do património ecológico; i) A promoção do desenvolvimento económico e do bem-estar das comunidades residentes de forma que não prejudique os valores naturais e culturais da área.

Zonas de Gestão do Parque

Os limites do parque estão bem definidos na respetiva lei (com exceção da zona tampão, cuja interpretação permaneceu arbitrária) e, desde que foi estabelecido, o PNP já teve dois Planos de Manejos (PM; períodos 2009-2014 e 2015-2020).

No PNP, estão identificadas  seis áreas de macrogestão, considerando a sua descontinuidade territorial

Zonas de proteção integral:

  • Maciço Sul
  • Trilhos e Pico Negro

Zonas de exploração controlada:

  • Encostas do Maciço Sul
  • Praia Seca
  • Floresta da Azeitona
  • Zona Marinha
História de gestão, delimitações e governação

A Lei de Bases do Ambiente (Lei n.º 10/1999) e a Lei de Conservação da Fauna, Flora e Áreas Protegidas (Lei n.º 11/1999) abriram caminho à designação de áreas protegidas terrestres, reconhecendo o património natural único de STP, a riqueza de endemismos e valor intrínseco. Este reconhecimento concretizou-se em 2006, com a criação do Parque Natural Obô de São Tomé (Lei n.º 6/2006) e do Parque Natural Obô do Príncipe (Lei n.º 7/2006) respondendo à necessidade reconhecida de estabelecer um Sistema Nacional de Áreas Protegidas.

O nome "Obô" usado na lei como 'Parque Natural Obô do Príncipe ', que significa "floresta virgem" em Forro, crioulo da ilha de São Tomé, não corresponde ao dialeto da Ilha do Príncipe e, portanto, alguns autores adotam o nome "Parque Natural do Príncipe" (PNP). Em Lunguié, o dialeto da ilha do Príncipe, "floresta virgem" traduz-se



Principais Intervenções de Gestão no PNP

Limites do PNP


O PNP foi criado com o objetivo de proteger os ecossistemas mais representativos da zona sul da ilha do Príncipe, incluindo uma área marítima (ou “faixa marítima”) ao longo da costa sudoeste. O PNP tem uma área de 7.124 ha, dividida em duas zonas geograficamente distintas.

  1. A região Sul, que abrange mais de um terço da superfície da ilha, englobando a maior parte da região montanhosa da ilha, incluindo os seus picos mais altos (Picos do Príncipe, Agulha, João Dias Pai, João Dias Filho, Papagaio, Cariote e Mencorne) e uma faixa marinha com 500 m de extensão a partir da linha costeira;

  2. A Floresta de Azeitona, significativamente menor, na região noroeste da ilha, consistindo numa floresta secundária antiga que cobre uma área de 229 hectares

O PNP é ainda dividido em Zonas de Gestão, correspondentes a “zonas de preservação integral” onde são permitidas apenas atividades científicas, monitorização da biodiversidade e ameaças e excursões controladas; e “zonas de exploração controlada” ou “zonas de proteção parcial” onde também são permitidas algumas atividades de turismo, uso controlado de recursos florestais e construções ligeiras (ver a tabela ).

Caraterização dos fatores abióticos e bióticos

  • Fatores abióticos

    Os Fatores abióticos são os componentes não vivos de um ecossistema. Eles incluem fatores físicos, químicos e geológicos, como temperatura, luz solar, umidade, pH do solo, composição química da água e topografia. Esses fatores abióticos podem ter impacto direto sobre os organismos vivos. Por exemplo, a disponibilidade de luz solar afeta a fotossíntese das plantas, a temperatura influencia o metabolismo dos animais e a umidade afeta a distribuição das espécies.

    Clima

    A Ilha do Príncipe tem um clima tropical húmido, com duas estações de três meses quentes e chuvosas, quatro meses de gravana (junho a setembro), um período mais seco e com temperaturas mais baixas, e um período entre janeiro e fevereiro, denominado gravaninha e caracterizado por menor precipitação e temperaturas mais baixas. Segundo a classificação de Thornthwaite modificada, a ilha é dividida em três zonas climáticas: super-húmida, húmida e sub-húmida . A precipitação média anual varia aproximadamente entre os 2000mm, nas zonas baixas a norte e nordeste, e os 4000mm nas zonas de maior elevação a sul. A temperatura média anual é de 25,2ºC, com humidade anual relativa média de 82,5% .

    Geologia

    A Ilha do Príncipe insere-se na linha vulcânica dos Camarões e teve a sua origem há 31 milhões de anos . Apesar da sua pequena dimensão, as suas características geológicas não são uniformes entre o norte e o sul da ilha . A região norte é constituída por um planalto de baixa altitude entre 120 e 180m, com pequenos relevos e declives que conduzem ao mar. A região sul é muito mais acidentada e inclui vários picos, incluindo o mais alto da ilha (Pico do Príncipe, 948m), inserido numa cadeia montanhosa de este a oeste, começando no Morro de Leste e Pico de Mencorne e descendo para oeste até Carriote e mais adiante até ao Pico Mesa, que está quase separado da cadeia montanhosa; e que se expande para norte com os Picos Papagaio, João Dias Pai e João Dias Filho.

     Hidrologia

    A Ilha do Príncipe tem três rios principais: Papagaio, Bibi e Banzú. Os três rios são fontes críticas de água para os habitantes, todos tendo a sua origem no PNP (Figura 6). Em particular, o rio Papagaio é a principal fonte de água potável para a capital Santo António, e uma parte considerável de seu baixo curso é ocupada por plantações. As autoridades regionais têm um forte interesse na exploração de energia hidroelétrica e há planos para utilizar estes três rios para fornecer água potável às comunidades. -Clique para ver o mapa da bacia hidrografica da Ilha

  • Fatores bióticos
Plano de Manejo do Parque Natural do Principe PNP 2009-2014
Plano de Manejo do Parque Natural do Principe PNP 2022-2026 2.1